22 dezembro 2008

Grávidos de Deus



Mais uma vez vai nascer um menino. Cada um, a seu modo, neste lado do mundo, quer deixar marcado este dia em que se convencionou que o menino vai nascer.
De quem é o menino que nasce? Quem é seu pai, sua mãe? Ele mesmo nos dirá mais tarde: sou o filho do homem. Nasce, pois, de cada um de nós, de nossa humanidade. Isto quer dizer que ele é o que virá depois de nós. O modelo daquilo em que o ser humano se transformará, se tempo nos sobrar para tanto.
Mesmo que daqui a pouco estejamos lamentando sua morte, por nós mesmos decretada e executada, nada impede que agora estejamos contentes com o seu próximo nascimento. Por agora não sabemos nada da nossa maldade. Agora somos puros, somos virgens, inocentes de toda crueldade de que somos capazes. Por enquanto somos inocentes. E neste lapso de memória da matéria corruptível que nos forma corpo e alma, estamos prontos mais uma vez para gerar o menino e esperar que com ele renasçam nossas esperanças.
Esperemos, pois, com a paz possível, que mais uma vez nasça este menino. Façamos de conta que somos bons, que amamos nosso próximo, que cuidamos do planeta em que moramos. E se ele também se diz filho de Deus e nascerá mais uma vez de nós, estamos todos grávidos de Deus. Este é o milagre que se renova a cada ano no ventre da humanidade.


Imagem obtida em:raquel2006.flogbrasil.terra.com.br

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